Era o último dia do ano.
Só por si, era especial.
Há muito que tinha tirado da cabeça a ideia de voltar a ser mãe. Uma menina de 2 anos, cheia de vida, ocupava todos os (poucos) minutos que tinha. Chegava-me. Também não sabia se teria capacidade de amar alguém como amava/amo a minha filha.
Foi desejada? muito... menina.. bonequinha...
A versão (Catarina) terrorista chegou há poucos meses.
Nessa semana andava estranha, doente e com muito trabalho. Não tinha tempo para parar e pensar que talvez algo estivesse errado. De animo leve tentei perceber o que se passava nunca pensando que estaria grávida de novo. Nunca... até ao momento que vejo aquele pequeno saquinho com umas 5/6 semanas.
O meu mundo caiu. Não sabia como dizer ao pai.. á família...e nem a mim própria (porque para mim não era real)!
Acho que nunca chorei tanto num único dia.
Pensando positivamente (como tento fazer sempre) nunca me irei esquecer daquele dia, de quem estava comigo e me apoiou, de quem me deu os parabéns quando eu não os queria ouvir, muito menos aceitar. De tudo. Não me vou esquecer do "vai correr tudo bem" do pai. Do " agora que seja um rapaz" (ideia que reprovei imediatamente) dos avós e do ar incrédulo das pessoas que me rodeavam.
Senti falta da alegria com que receberam a noticia da gravidez da Catarina, do êxtase com que algumas pessoas ficaram, incluindo eu. Senti que tinha cometido um crime aos olhos de todos e aos meus também.
Não podia mudar nada, a não ser encarar a realidade.
Foram dias psicologicamente dolorosos em que me passou de tudo pela cabeça.
Hoje com quase 35 semanas, ainda não estou totalmente à vontade com a ideia.
Mas... (continua)
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